13 de outubro de 2026
Por: ACIN Administrador
O desenvolvimento econômico de Santa Catarina exige planejamento, infraestrutura e decisões capazes de acompanhar a força do nosso setor produtivo. Nesse cenário, a ampliação do Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder, em Navegantes, especialmente com a construção da segunda pista, representa muito mais do que uma obra aeroportuária, trata-se de um investimento estratégico para a competitividade de todo o estado.
Um estudo elaborado pelo Centro de Inteligência e Estratégia da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), a partir de pesquisa encomendada pela Associação Empresarial de Navegantes (ACIN), demonstra que a demanda por transporte aéreo de passageiros e cargas já existe. O principal desafio está na infraestrutura disponível para aproveitar plenamente esse potencial.
Os números revelam uma realidade que merece a atenção de empresários, lideranças e gestores públicos: Santa Catarina possui uma economia dinâmica, uma indústria diversificada e uma localização privilegiada, mas ainda depende de outros estados para uma parcela significativa de suas operações de comércio exterior por via aérea.
Um aeroporto que já demonstra sua importância
O Aeroporto Internacional de Navegantes ocupa posição estratégica no desenvolvimento regional. Sua localização, próxima aos complexos portuários de Navegantes e Itajaí, aos principais corredores rodoviários e a importantes polos industriais, logísticos e comerciais, oferece condições privilegiadas para integrar diferentes modais de transporte.
Na última década, o terminal registrou crescimento de aproximadamente 58% na movimentação de passageiros, alcançando cerca de 2,3 milhões de passageiros em 2025, conforme os dados apresentados no estudo. O aeroporto está entre os 20 maiores do país em fluxo de passageiros e ocupa a segunda posição entre os que mais cresceram no período analisado.
A movimentação de cargas também apresenta resultados expressivos. O crescimento acumulado de 166% na última década coloca Navegantes entre os aeroportos brasileiros com maior expansão nesse segmento, ocupando a 23ª posição nacional em volume de cargas. O terminal responde por aproximadamente 25% da movimentação de cargas aéreas do estado, conforme o levantamento.
Esses indicadores demonstram que Navegantes não é apenas um aeroporto regional. É uma infraestrutura essencial para uma economia que precisa de conexões rápidas, eficientes e competitivas com o Brasil e o mercado internacional.
A segunda pista e a eficiência logística de Santa Catarina
Um dos pontos mais relevantes do estudo é a dependência catarinense de aeroportos localizados em outros estados para movimentar suas cargas internacionais.
Embora Navegantes reúna condições logísticas favoráveis, grande parte das importações destinadas às empresas catarinenses ainda chega por aeroportos de São Paulo e segue por transporte rodoviário até Santa Catarina. Da mesma forma, uma parcela expressiva das exportações aéreas catarinenses precisa ser encaminhada para outros estados antes de alcançar seus destinos internacionais.
Esse modelo aumenta a dependência da malha rodoviária, amplia o tempo de deslocamento, gera custos adicionais e pressiona rodovias que já enfrentam elevados volumes de tráfego. Em um estado com forte atividade industrial, portuária e comercial, essa dependência representa um obstáculo à eficiência logística.
A construção da segunda pista permitiria ampliar a capacidade operacional do aeroporto e viabilizar operações com aeronaves cargueiras de maior porte, respeitadas as exigências técnicas e operacionais aplicáveis. O resultado esperado é uma estrutura mais preparada para receber e encaminhar cargas diretamente a partir de Santa Catarina, reduzindo etapas intermediárias e fortalecendo a integração entre os modais aéreo, rodoviário e portuário.
Para as empresas, isso pode representar uma economia de dois a três dias no tempo de trânsito de determinadas operações, conforme as condições de cada rota e operação logística. Em setores que trabalham com prazos rigorosos e produtos de alto valor agregado, essa diferença pode ser decisiva.
Importações: os números já mostram uma mudança de cenário
O crescimento das importações catarinenses por via aérea reforça a urgência de ampliar a capacidade aeroportuária do estado.
Segundo os dados apresentados no estudo, Santa Catarina registrou crescimento de 1.667% nas importações no período de 20 anos analisado, o maior índice entre os estados destacados no levantamento. Como comparação, Goiás apresentou crescimento de 1.218% e Rondônia, de 812%.
O avanço evidencia a expansão da demanda e a necessidade de uma infraestrutura compatível com o ritmo da economia catarinense.
Os dados de 2025 e do primeiro semestre de 2026 também demonstram uma mudança importante na entrada dessas mercadorias. Em 2025, antes do início da operação cargueira internacional em Navegantes, aproximadamente 75% das importações aéreas destinadas a Santa Catarina chegavam por São Paulo e dependiam do transporte terrestre para alcançar o estado. No primeiro semestre de 2026, essa participação caiu para 36%, enquanto Navegantes passou a responder por 27% das importações aéreas catarinenses, segundo o levantamento.
A nova operação demonstra, na prática, que existe demanda para ampliar a utilização do aeroporto. A pista atual, entretanto, limita o aproveitamento da capacidade das aeronaves. Um cargueiro com capacidade para transportar até 50 toneladas precisa operar com carga reduzida em Navegantes em razão das restrições existentes, conforme as condições operacionais da pista.
A segunda pista é, portanto, fundamental para ampliar essa capacidade, atrair novas operações e consolidar o aeroporto como um centro logístico de referência.
Mais agilidade, segurança e competitividade para as empresas
Entre os produtos importados por Santa Catarina estão reagentes para laboratórios, fármacos, alumínio e circuitos integrados. São mercadorias que atendem a diferentes segmentos produtivos e que, em muitos casos, exigem agilidade no transporte, controle das condições de conservação e previsibilidade na entrega.
A possibilidade de receber essas cargas mais perto de seus destinos finais reduz deslocamentos desnecessários, favorece a preservação de produtos sensíveis e proporciona maior previsibilidade às operações empresariais.
Além disso, Navegantes possui potencial de armazenagem e uma localização favorável à integração logística. Ampliar a capacidade do aeroporto significa criar condições para aproveitar melhor essa estrutura, estimular novos investimentos e fortalecer a cadeia de serviços ligados ao comércio exterior.
A consequência pode ir além da redução de custos de transporte. Uma logística mais eficiente contribui para aumentar a produtividade, melhorar a competitividade das empresas catarinenses, atrair novos negócios e ampliar a geração de empregos e renda.
Também representa uma oportunidade de fortalecer a arrecadação e manter em Santa Catarina uma parcela maior da atividade econômica associada às operações de importação, exportação, armazenagem e distribuição.
Mais voos, mais conexões e oportunidades para o turismo
A relevância do Aeroporto Internacional de Navegantes não se limita às cargas. O transporte de passageiros também constitui um dos pilares de sua importância econômica.
Em 2025, o aeroporto registrou mais de 16 mil decolagens, com predominância de voos regulares. Entre os principais destinos estão Congonhas, Guarulhos, Campinas, Rio de Janeiro e Confins, conectando Santa Catarina a importantes centros econômicos do país.
Os dados de ocupação das aeronaves apresentados no estudo reforçam a força dessa demanda. As taxas registradas nas rotas para Congonhas, Guarulhos, Rio de Janeiro e Campinas ficaram, respectivamente, em aproximadamente 79%, 83%, 85% e 84%.
A elevada ocupação ajuda a explicar a pressão sobre a oferta de assentos e pode contribuir para tarifas mais altas em determinados períodos e rotas. A ampliação da infraestrutura, associada à entrada de novas operações e ao aumento da oferta de voos, pode favorecer melhores condições de conectividade e ampliar as oportunidades para passageiros e empresas.
É importante destacar, contudo, que a construção da segunda pista, isoladamente, não garante passagens mais baratas ou novas rotas. Esses resultados também dependem das decisões das companhias aéreas, da demanda e das condições de mercado.
Para o turismo, a ampliação da conectividade aérea representa uma oportunidade estratégica. Navegantes está em uma posição privilegiada para atender visitantes que se destinam às praias do litoral catarinense, ao Vale do Itajaí, aos parques temáticos, aos destinos de lazer e aos centros de negócios da região.
Mais conectividade significa facilitar a chegada de turistas, ampliar oportunidades para hotéis, restaurantes, comércio e prestadores de serviços, além de fortalecer a integração entre os destinos turísticos catarinenses.
Uma infraestrutura que beneficia todo o estado
Defender a segunda pista do Aeroporto Internacional de Navegantes não é defender apenas os interesses de um município ou de uma região. É reconhecer a necessidade de oferecer a Santa Catarina uma infraestrutura compatível com sua capacidade produtiva.
A dependência de aeroportos de outros estados para movimentar cargas internacionais representa custos, deslocamentos adicionais e pressão sobre a malha rodoviária. Ao mesmo tempo, a demanda crescente por passageiros e cargas demonstra que Navegantes possui condições de ampliar sua contribuição para a economia catarinense.
O estudo da FACISC evidencia uma oportunidade concreta, aproveitar melhor a localização estratégica do aeroporto, ampliar a capacidade de movimentação de cargas, fortalecer o comércio exterior e oferecer melhores condições de conexão para pessoas e negócios.
A segunda pista precisa ser compreendida como parte de uma política de desenvolvimento de longo prazo. Seus benefícios potenciais alcançam a indústria, o comércio, os serviços, o turismo, o setor logístico e os municípios que dependem de uma economia cada vez mais integrada e competitiva.
O futuro exige decisões à altura do nosso potencial
Santa Catarina construiu sua força econômica com trabalho, empreendedorismo, inovação e capacidade de produzir. Para continuar avançando, precisa garantir que sua infraestrutura acompanhe esse desenvolvimento, não apenas em capacidade, mas também em segurança, eficiência e confiabilidade operacional.
Os dados estão postos, o aeroporto cresce, a movimentação de cargas avança, as empresas precisam de mais agilidade e a dependência logística de outros estados ainda impõe limitações importantes. Soma-se a isso um desafio que passageiros e empresas conhecem bem, as dificuldades operacionais provocadas por condições climáticas adversas, que podem resultar em atrasos, cancelamentos e impactos em toda a cadeia de transporte.
Em um aeroporto estratégico como o de Navegantes, a infraestrutura precisa estar preparada para responder à demanda crescente e oferecer maior capacidade de operação e recuperação diante de situações que afetam a regularidade dos voos. A ampliação aeroportuária deve ser acompanhada de estudos técnicos, investimentos e soluções operacionais que considerem as características climáticas da região.
Além disso, eventos de grande porte, como a vinda do Frei Gilson, evidenciam a importância de uma estrutura de transporte capaz de atender aos picos de demanda. A chegada de milhares de visitantes movimenta a economia, fortalece o turismo e gera oportunidades para hotéis, restaurantes, comércio e serviços, mas também exige planejamento e capacidade de atendimento dos aeroportos e dos acessos rodoviários.
Quando a infraestrutura é insuficiente, os efeitos ultrapassam os limites do terminal, passageiros enfrentam dificuldades, empresas precisam reorganizar suas agendas e toda a região sente os reflexos. Por isso, ampliar a capacidade aeroportuária é também preparar Navegantes e Santa Catarina para receber mais pessoas, negócios e eventos, com eficiência e previsibilidade.
A construção da segunda pista do Aeroporto Internacional de Navegantes é uma decisão estratégica para reduzir limitações, ampliar a capacidade de movimentação de cargas e passageiros e preparar o estado para as próximas décadas. É importante, entretanto, que a obra esteja integrada a um planejamento mais amplo de infraestrutura, segurança operacional, acessos terrestres e resiliência às condições climáticas.
Como Associação Empresarial de Navegantes, entendemos que defender essa obra é defender a competitividade das empresas, a geração de empregos, o desenvolvimento regional e a capacidade de Santa Catarina de ampliar sua participação nos mercados nacional e internacional.
Navegantes tem localização, demanda e potencial logístico. O que precisamos é de infraestrutura para transformar essas vantagens em resultados concretos. A segunda pista não é apenas uma necessidade do presente, é um investimento no futuro de toda Santa Catarina.