24 de fevereiro de 2026
Postado por: Alexandre Batista
Diante de prejuízos enfrentados pelos produtores de cebola de Santa Catarina devido aos preços abaixo do custo de produção, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) cobrou do governo do estado medidas emergenciais e estruturantes para a crise do setor. A entidade enviou na quinta-feira (19) um ofício ao governador Jorginho Mello com uma lista de reivindicações.
A Facisc cobrou do governo criação de linhas de crédito específicas, prorrogação de obrigações financeiras, medidas para conter a importação de cebola e ações que garantam condições justas de competitividade para a produção de SC.
A entidade argumentou que o estado é o líder nacional em produção de cebola, desenvolvida em pequenas propriedades. Conta com polos produtivos na Grande Florianópolis, Alto Vale do Itajaí, cada um que responde por 30% da produção no estado, e o polo no Meio-Oeste, que produz 20% da safra estadual. Os preços baixos resultam da supersafra deste ano, que coincide com safra elevada em outros estados e também com importações.
O produtor não consegue cobrir seus custos e acumula prejuízos sucessivos. É fundamental que o Estado atue com rapidez para garantir condições justas de competitividade e proteger uma cadeia estratégica para Santa Catarina – argumentou Elson Otto, presidente da Facisc.
O empresário Laudir Schäffer, que faz parte da Associação Empresarial de Ituporanga, destaca que o custo de produção por hectare na safra 2025-2026 ficou entre R$ 45 mil e R$ 53 mil. Mas como o preço de comercialização não cobre o custo, que está em cerca de R$ 1,40 por quilo, o prejuízo por hectare chega a R$ 15 mil.
A produção média ficou entre 40 e 50 toneladas por hectare. Após a classificação, há perdas de 15% a 25%. O preço médio final recebido gira entre R$ 0,65 e R$ 0,70 por quilo. No fim, a receita não cobre os custos e o prejuízo varia de R$ 10 mil a R$ 15 mil por hectare. Isso virou regra nesta safra – explicou Schäffer.
O empresário destacou também que produtores que tiveram prejuízo na safra passada plantaram mais nesta para compensar e, no fim, só agravaram a situação. Parte dos trabalhadores para a colheita vem do Nordeste. Os agricultores investem em irrigação, máquinas, depósitos e alojamentos para trabalhadores. Esses e outros custos somam valor alto e não são cobertos pelo preço de venda atual.
A Facisc entende que o setor público precisa ajudar para proteger milhares de famílias que dependem dessa atividade e garantir a saúde financeira de municípios produtores que estão com a economia impactara pela crise de comercialização da cebola.
Leia o Ofício na Íntegra…
*
Ofício nº 79/2026 Florianópolis/SC, 19 de fevereiro de 2026.
Ao Excelentíssimo Senhor
JORGINHO MELLO
Governador do Estado de Santa Catarina
Assunto:
Solicitação de medidas emergenciais diante da crise na produção de cebola em Santa Catarina
Excelentíssimo Senhor Governador,
A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC),
entidade representativa do setor produtivo catarinense, vem por meio deste manifestar sua
profunda preocupação com a grave situação enfrentada pelos produtores de cebola no Estado.
Santa Catarina é o maior produtor de cebola do Brasil, mantendo a liderança
nacional mesmo diante de eventos climáticos adversos em 2024. Para a safra 2025/2026, a
estimativa é de produção recorde, impulsionada pelo aumento da produtividade, ampliação da
área plantada e investimentos em mecanização, estratégia adotada para reduzir custos e
enfrentar a escassez de mão de obra.
Entretanto, a combinação entre supersafra e a entrada expressiva de produto
importado de países vizinhos tem provocado forte pressão sobre os preços. Pelo menos nos
últimos dois anos, o valor pago ao produtor está muito abaixo de seu custo de produção,
tornando a atividade economicamente inviável e levando municípios catarinenses a decretarem
situação de emergência.
Como consequência, o menor valor pago ao produtor fez com que o estado,
mesmo que líder em quantidade produzida, caísse uma colocação nacional em valor pago na
produção. Isso mostra que os nossos produtores de cebola, formado principalmente pela
agricultura familiar, estão perdendo tanto em competitividade perante os outros estados, como
também em poder de compra e qualidade de vida.
A cadeia produtiva da cebola possui grande relevância econômica e social para
Santa Catarina, com forte concentração no Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis, cada região
representando mais de 30% da produção estadual, além do Oeste, com mais de 20% de
participação. *Trata-se de uma atividade estratégica para a geração de emprego e renda,
manutenção da competitividade do agronegócio catarinense e sustentação econômica de
municípios.
Diante desse cenário, a FACISC solicita a adoção de medidas emergenciais e
estruturantes, especialmente:
•
Avaliação e fortalecimento de mecanismos de defesa comercial frente à
concorrência com produtos importados;•
Apoio emergencial aos produtores impactados, por meio de linhas de
crédito específicas e prorrogação de obrigações financeiras;
•
Adoção de medidas que assegurem condições justas de competitividade à
produção catarinense.
Reforçamos que proteger a produção de cebola catarinense é preservar uma
cadeia estratégica para o Estado e para o país.
Colocamo-nos à disposição para contribuir com o diálogo e a construção de
soluções.
Respeitosamente,
ELSON OTTO
Presidente da FACISC
Fonte: Facisc