13 de agosto de 2026
Postado por: ACIN Administrador
Navegantes/SC, 12 de agosto de 2026.
A Associação Empresarial de Navegantes (ACIN) acompanha com preocupação as recentes informações relativas à navegabilidade do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes. Em 11 de agosto de 2026, diante da redução de profundidade constatada no canal, a Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí estabeleceu uma folga de segurança adicional de 0,50 metro para as embarcações, somada aos 0,30 metro já vigentes, totalizando 0,80 metro de margem adicional. No mesmo ato, a Autoridade Marítima solicitou aos responsáveis as providências para a recomposição das profundidades e a realização de levantamento hidrográfico dos canais de acesso e das Bacias de Evolução nº 1 e nº 2. A ACIN soma sua voz a esse chamado: garantir a plena navegabilidade do canal é condição indispensável para a economia de Navegantes e de todo o estado de Santa Catarina.
O canal já acumula um histórico de instabilidade que não pode se repetir. Somente nos últimos dois anos, o serviço de dragagem foi interrompido em mais de uma ocasião (no início de 2025 e novamente em 2026), com perda de profundidade e reflexos diretos sobre a programação de navios. A nova restrição de calado é mais um episódio dessa mesma fragilidade e reforça a urgência de uma solução duradoura.
Estimativas do setor apontam que a restrição de calado pode reduzir em até 30% a movimentação de cargas do complexo. E como o segundo semestre é tradicionalmente o de maior movimentação, por conta das encomendas de fim de ano, o efeito real tende a ser ainda maior.
Itajaí e Navegantes formam um porto de rio, que assoreia continuamente, e a tendência climática agrava o quadro. As projeções para o segundo semestre de 2026 indicam alta probabilidade de El Niño, que no Sul do Brasil significa mais chuva e, portanto, mais sedimento no canal em menos tempo. Manter a profundidade, nesse cenário deve ser um serviço permanente.
Por isso, a ACIN reforça a importância de assegurar, com brevidade, a manutenção e a medição atualizada do canal e das bacias de evolução. E, sobretudo, de um modelo que garanta a continuidade permanente deste serviço, dando previsibilidade a toda a comunidade portuária. É nesse ponto que a concessão do canal de acesso se mostra decisiva: um contrato de longo prazo, com metas de profundidade definidas e fiscalização do regulador, é o instrumento capaz de tratar a dragagem como a atividade essencial e ininterrupta que ela é, e não como uma sucessão de intervenções emergenciais.
A ACIN permanece atenta ao tema e à disposição das autoridades para o diálogo.
Débora Celine Bergamaschi dos Santos
Presidente da Associação Empresarial de Navegantes – ACIN